Arménio Martins

A viver um sonho concretizado

0 66

> texto Maria Helena Duarte > fotografias Ernesto Fonseca

A Sovina é hoje uma marca sobejamente conhecida. Fala-se de cerveja artesanal e, ao par da Praxis e da Vadia, lá está ela, a Sovina. Hoje, conta com instalações grandes, na Zona Industrial do Porto, onde há zona de fabricação, de armazenagem, acabamento, há uma sala para workshops e formações e a loja, para além da parte administrativa, é claro. Tudo está feito e pensado ao pormenor. Mas não começou assim. O crescimento fez-se passo-a-passo e foi Arménio Martins que a fez crescer com o apoio de dois sócios.

O Mestre Cervejeiro que escolhemos para esta primeira edição Paixão Pela Cerveja tem origens no norte de Portugal, ali para os lados de Bragança, terra onde hoje se planta lúpulo.

Arménio era designer. Mas um dia atreveu-se largar tudo e mudar de vida. Em 2009, abriu uma loja cervejeira com produtos ‘homebrewer’ para quem quisesse fazer cerveja em casa. Investiu na formação, leu muito, viajou, aprendeu com outros cervejeiros, apaixonou-se pelo mundo da cerveja e avançou do sonho à realidade. Fermentada a ideia com a ajuda dos sócios na altura, o Pedro e o Alberto, nasce a marca e a cerveja chega ao mercado. “Não precisamos de a vender, as pessoas estavam desejosas de ter a cerveja, encomendavam diretamente, e rapidamente esgotamos a primeira edição”, contou-nos, acrescentando que “ficamos surpreendidos com o interesse e com a adesão, pois na altura tínhamos capacidade para mil litros e, nos primeiros quinze dias, já tínhamos vendido 500 litros de Sovina”.

Atualmente, a realidade é bem diferente. “Agora, fazemos 12 mil litros e nos próximos seis meses a produção já poderá aumentar para 20 mil. A loja continua a existir e é uma das mais completas do País, especialmente ‘on-line’. E, garante o Mestre Cervejeiro, é “uma das melhores do mundo”. É que para além de ser um negócio apelativo, “é uma maneira de divulgar e incentivar a produção de cerveja artesanal em Portugal”, destacou. “E há muito a fazer para ampliar a divulgação, até porque se continuarmos a crescer num futuro próximo, pode ser que consigamos atingir os 3% ou 4% de quota de mercado, que atualmente deve estar perto do meio ponto percentual”. Com um sorriso, ainda remata dizendo que “a cerveja artesanal é um fenómeno mundial e até na China já há procura”!

Arménio Martins partilhou connosco que, acima de tudo, o que mais adora “é a criatividade, é ter a possibilidade de recriar sabores e aromas, com frutos e especiarias, plantas aromáticas… as hipóteses são infinitas”!

Para Arménio, Portugal ainda é muito deficitário ao nível da produção de cereais e lúpulo. “Temos vindo a motivar os agricultores e começamos há três anos a apoiar a produção de lúpulo em Trás-os-Montes, investimos na variedade Cascade e, para já, nesta colheita, só tivemos 15 quilos, daqui a três anos desejamos já ter meia tonelada. Outros produtores tiveram esta iniciativa e já conseguem produzir 12 a 15 toneladas por ano”.

Neste momento, a Sovina produz constantemente duas Lagers e quatro Ales. “Temos a Helles, uma cerveja Lager do estilo Munich Helles, leve e suave, intensa a nível de maltados; depois temos a Bock que também é uma Lager, mais encorpada, bem estruturada e complexa, com uma maturação longa. Nas Ales, temos a Amber, a Stout Dry, a Indian Pale Ale, e temos a Weiss. Depois, no meio disto tudo, estamos a fazer cervejas especiais e sazonais. A edição de Natal saiu agora. É uma receita que vamos todos os anos alterando para criar expectativa e curiosidade. Este ano é de abóbora e centeio. A abóbora dá-lhe uma textura suave e sedosa e uma doçura muito agradável. Parece tão suave que camufla o álcool”. Foram produzidas cerca de 5 mil garrafas.

Atualmente, a Sovina já exporta para a Estónia e para a Dinamarca, sendo que já há pedidos para os Estados Unidos, um mercado ainda em análise, bem como outros mercados.

Por fim, pedimos ao Mestre Cervejeiro que deixasse uma mensagem aos nossos leitores: “Experimentar. Se todos os portugueses experimentassem uma cerveja artesanal perceberiam que há grandes diferenças. E em Portugal já se fazem grandes cervejas!”, concluiu.

TAMBÉM PODERÁ GOSTAR DE

DEIXE UM COMENTÁRIO

Seu endereço de email não será publicado.